sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Cartas de Ventos


Quando pensei num jogo com balões, a primeira coisa que me veio à mente foi a questão das correntes de ar em diferentes altitudes da atmosfera. Um balão não tem motor próprio, de forma que ele segue ao sabor dos ventos. Isso deveria ser uma característica marcante no jogo.

Para inserir essa condição, criamos as cartas de ventos. A partir delas, cada jogador sabe a previsão dos ventos (velocidade e direção) das próximas horas, podendo preparar sua viagem, focado no ponto que deseja chegar e a distância que pensa alcançar.

Cada carta indica a velocidade (em km/h) e a direção do vento em três altitudes diferentes: até 50 metros, de 50 metros até 500 m e de 500 m até 1000 m. As altitudes mais baixas têm correntes com velocidades maiores, no entanto estão submetidas à condições climáticas adversas para um voo de balão. Da mesma forma, gasta-se menos energia em voos em baixa altitude, exigindo menos queima de combustível. Para se chegar à altitudes maiores, o consumo de combustível aumenta consideravelmente.

A ideia inicial é que essas cartas sejam colocadas sobre um espaço próprio no tabuleiro (estou chamando provisoriamente de estação metereológica), na quantidade de cinco cartas a cada rodada. Cada carta mostra a previsão dos ventos dos próximos 30 minutos, de modo que, a cada dia, os jogadores sabem a previsão das próximas 2 horas e meia.

Falo em previsão porque esses valores podem sofrer modificações no momento em que os balões levantam voo. Explicarei esse ponto num post futuro.

Após visualizarem a previsão dos ventos, cada jogador decide em que momento das próximas 2,5 horas irá levantar voo, qual a sua duração (sempre em intervalos de 30 minutos) e qual a altitude que permanecerá a cada intervalo de tempo. Essa decisão dependerá de quanta energia seu balão possui e qual o destino escolhido.

O restante das cartas formam um deck com a face para baixo, de modo a alimentarem a mesa de jogo a cada rodada.

Nos próximos posts, falarei do Senhor do Tempo com seus dos dados climáticos e do Senhor dos Ventos com suas fichas de velocidade, trazendo um pouco de surpresas e reviravoltas no momento em que os balões decolam!


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Sete dias de balão (Primeiros insights)

Não foi à toa que encerrei o tópico anterior com a imagem de um balão de ar quente!

Em uma conversa pelo Facebook com um ex-aluno e participante ativo de nossas mesas de jogo (fala, Roco!), falávamos sobre as  possibilidades de um jogo que envolvesse (discretamente) conceitos de Física e que tivesse uma dinâmica divertida. Ele surgiu com uma ideia sobre jogos com balões, algo como uma corrida talvez. De imediato, vislumbramos as possibilidades do jogo em termos conceituais. Poderia tratar de conceitos como energia, empuxo, velocidade, densidade, resistência do ar, entre tantos outros.

Decidimos trabalhar essa ideia!

Esbocei alguns rascunhos no Corel e, num encontro presencial, discutimos sobre eles.
O jogo deveria tratar sutilmente desses conceitos. Deveria funcionar como motivador para futuras discussões em sala de aula. Essa sutileza também se faria necessária para que qualquer jogador pudesse aprender e gostar do jogo, mesmo que nunca tivesse ouvido falar em Física.

A primeira versão do tabuleiro não agradou pela mecânica. Havia pensado num mapa quadriculado pelo qual cada balão pudesse se deslocar pela malha. Mas Roco me fez perceber que a jogabilidade iria ficar muito limitada e o jogo se tornaria muito "mecânico". Daí que desistimos daquele modelo.

Pensamos em algo como uma viagem ao redor do mundo, de modo que em cada parada o jogador precisasse resgatar algum tesouro ou relíquia. Mas, de minha parte, não consegui colocar no papel essa ideia de modo a torná-la interessante e jogável, sem perder de vista aqueles conceitos iniciais.

Bem, Roco tem estado bem ocupado nesses últimos tempos, de modo que comecei a trabalhar sozinho uma ideia para esse jogo e é ela que venho esboçar aqui! É provável que seja apenas mais uma ideia e que nós desistamos dela ou mudemos algo ou muita coisa. Mas, esse espaço foi criado justamente para isso! Apresentar o passo a passo na construção de um jogo, suas dificuldades, as coisas que não deram certo, os dilemas entre escolher entre uma mecânica de jogo ou outra. É muito provável até que aquele título para o jogo, lá em cima, seja modificado!

Aquela conversa inicial e o primeiro encontro aconteceu há cerca de 1 mês.
Nessa última semana, comecei a esboçar outra dinâmica de jogo, trazendo muitas variáveis que tornam cada jogada imprevisível e dando possibilidades dos adversários atrapalharem sempre a jogada uns dos outros.

A partir do próximo post, começaremos a apresentar algumas ideias da mecânica de jogo e das fichas, marcadores, cartas, tabuleiros individuais e o tabuleiro central.

Até lá!

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Iniciando as atividades...

Olá, amigos

É com imensa alegria que inicio mais um trabalho!
Depois de alguns anos desenvolvendo aventuras pedagógicas de RPG, decidi traçar novas rotas (sem abandonar os caminhos já percorridos) e me aventurar pelo mundo do design de jogos.

Já há algum tempo que venho me nutrindo com experiências em mesas de card games e board games, conhecendo novas mecânicas, cenários e temas. Tudo isso para dar o primeiro passo num projeto que almejo desde os meus tempos de estudante universitário: Desenvolver jogos com objetivos pedagógicos, sem perder de vista o objetivo principal de um jogo que é a diversão pura e simples.

Nesse sentido, este blog vem apresentar para vocês o passo-a-passo na criação de jogos de tabuleiro ou jogos de cartas: as dificuldades, as dúvidas, as ideias que não irão à frente, as mudanças, as artes iniciais, os testes, etc.

Ele será o meu diário de bordo nessa viagem deliciosa que é a construção de um jogo.

Espero de todos vocês a crítica construtiva, as sugestões, os comentários que me farão repensar algumas ideias.

Vamos viajar comigo?